Segundo a própria direção da Lupo, a pressão fiscal no Brasil foi determinante para que parte da produção da empresa migrasse para o Paraguai. A decisão veio depois da aprovação da Lei 14.789/2023, que terminou com incentivos fiscais concedidos por estados via ICMS — o que aumentou drasticamente os custos de operação no país.
De acordo com Liliana Aufiero, CEO da Lupo, “não é que a Lupo foi para o Paraguai, o Brasil empurrou a gente para o Paraguai” — expressão usada para ilustrar que a saída não foi uma escolha estratégica comum, mas sim uma necessidade diante da carga tributária.
A fábrica inaugurada em junho em Ciudad del Este representa um investimento de cerca de R$ 30 milhões e permite à empresa operar com custo estimado 28% menor do que no Brasil. A nova planta tem capacidade de produzir até 20 milhões de pares de meias por ano e gera cerca de 110 empregos.
Outro fator apontado pela direção da Lupo foi a concorrência de empresas estrangeiras — especialmente fabricantes chinesas que operam no Paraguai e conseguem oferecer produtos mais baratos no mercado brasileiro, sem a necessidade de arcar com altos impostos ou investir fortemente em marca. Para competir de igual para igual, a Lupo considerou indispensável buscar a mesma vantagem de custo.
Mesmo com a realocação de parte da produção, a Lupo continua sendo líder no Brasil na venda de meias, cuecas e meia-calça, e mantém marcas como Trifil, Scala e sua linha de moda esportiva. A empresa também vem apostando na diversificação: recentemente lançou seu primeiro tênis, chamado “Origem”, reforçando seu posicionamento diante do mercado competitivo.
